Abrir menu principal
Segunda confirmação do Inferno
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Davam-lhe os olhos vesga expressão de bandido;
Basta, grisalha coma, emaranha-lhe a testa;
Um riso mau, desleal, a negra boca infesta;
Andam maldade, inveja, ódio em cada sentido.
 
Nadava em fezes ruins; e ouvia-se o estampido
Irromper-lhe da voz, que em quanto chega, cresta:
— A luz é negra; o sol é mais negro, e não presta. —
É da cloaca, onde habita, o fétido rugido.
 
Levando inda a direita o laureado poeta,
Dante passando ao rés dessa lagoa infecta,
Disse-lhe: — Ó infeliz, é o teu mal eterno!
 
Tinha no olhar Virgílio a indignação sublime:
Rosnava o monstro: — Eu amo o crime pelo crime. -
Dante voltou-lhe o dorso, e disse: — Estás bem no Inferno...