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Serei conde, marquês e deputado!
por Luís da Gama

Pelas ruas vagava, em desatino,
Em busca do seu asno que fugira,
Um pobre paspalhão apatetado,
Que dizia chamar-se — Macambira.

A todos perguntava se não viram
O bruto que era seu e desertara.
— Ele é sério (dizia), está ferrado,
E tem branco o focinho, é malacara.

Eis que encontra, postado numa esquina,
Um esperto, ardiloso capadócio,
Dos que mofam da pobre humanidade,
Vivendo, por milagre, em santo ócio.

Olá, senhor meu amo, lhe pergunta
O pobre do matuto, agoniado:
— Por aqui não passou o meu burrego.
Que tem ruço o focinho, o pé calçado?

Responde-lhe o tratante, em tom de mofa:
— O seu burro, Senhor, aqui passou,
Mas um guapo Ministro fê-lo presa,
E num parvo Barão o transformou!

Oh Virgem Santa! (exclama o tabaréu,
Da cabeça tirando o seu chapéu)
Se me pilha o Ministro, neste estado,
Serei Conde, Marquês e Deputado!