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Soneto (Aurora Morta, Foge...)
por Augusto dos Anjos


Aurora morta, foge! Eu busco a virgem loura

Que fugiu-me do peito ao teu clarão de morte

E Ela era a minha estrela, o meu único Norte,

O grande Sol de afeto - o Sol que as almas doura!


Fugiu... E em si levou a Luz consoladora

Do amor - esse clarão eterno d'alma forte -

Astro da minha Paz, Sirius da ruinha Sorte

E da Noite da vida a Vênus redentora.


Agora, oh! minha Mágoa, agita as tuas asas,

Vem! Rasga deste peito as nebulosas gazas

E, num pálio auroral de Luz deslumbradora,


Ascende a Claridade. Adeus oh! Dia escuro,

Dia do meu Passado! Irrompe, meu Futuro;

Aurora morta, foge - eu busco a virgem loura!