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por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Viver é ter sofrido só: convenho:
Ou de Procusto a dor haurir no leito,
Ou ir subindo ao Gólgota, suspeito
De um crime, — a vida, ao ombro o ignóbil lenho.
 
Pouco espaço ocupei na terra, e tenho
Intacto o orgulho disso: com efeito,
Conservo puro dentro do meu peito
Ter sido o bem o meu maior emprenho.
 
Superior ao destino, acaso, ou sorte,
Que a folha seca por azuis espalma,
Meu tamanho há de só medi-lo a morte.
 
Guardo entretanto uma ampla e funda calma,
Sem que a calúnia, e a inveja, e o ódio me importe,
Todos tendo a estatura de sua alma...