Uma confissão
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Que eu não pensava em ti? Quem dizer ousa?
Queres saber que fiz pelo caminho?
Em doidas voltas uma mariposa
Seguia a companheira: ao vento um ninho

Caiu piando: saltei a água, que pousa
Por entre o jarro, o lírio, e o rosmaninho:
Cada flor me falou de ti baixinho;
E o céu não me falava doutra cousa.

Levava à boca o acre perfume e a nota
Do último beijo; o cheiro do teu seio,
E o de erva ali por nós pisado à grota,

Onde rasto deixara alguém, que veio
Breve noite de amor já tão remota...
Deuses?... não sei quem foi, dormir, — eu creio...