Natus est Jesus.


I.


Ó Templo Sacrosanto! inspirae-me,
Em novos carmes, suave — grato incenso,
Para do mundo ao nado Redemptor,
Hymnos de gloria, em sublimes versos,
Pulsando a lyra, ufano offerecer!
Mais um canto piedoso agora entôe
Quem máguas de Christão no peito sente,
E que ante ti, ó Deus tão poderoso,
Curvado, humilde implora de seus erros
A vénia tua, ó Lume alvinitente
De principio uno e trino egregia próle!


II.


Tange, tange, ó campanario,
O teu tanger festival,
Que é hoje dia sagrado
Dia do Santo Natal.

Como correm pressurosos
Velhos, moços e meninos

Ao teu Templo Sacrosanto
Entoando doces hymnos.
Como brilhantes se adoram
Moças, bellas e garridas
Para no Templo rezarem
As rezas d’alma nascidas.


III.


Neste recinto sagrado
Já vozes harmoniosas
Doces soam maviosas
Em um cantico inspirado.

É um psalmo repetido
Por cem boccas fervorosas,
Com off’rendas piedosas
A seu Deus — Homem nascido.

A esse Deus encarnado
Concebido em Nazareth;
Promettido á nossa Fé
Por nosso Deus mui sagrado.

O misterio abracemos
Da melhor das prophecias;
Já é nado o grão Messias,
Hymnos de gloria entoemos.

Tange, tange, ó campanario
O teu tanger festival,
Que é hoje dia sagrado,
Dia do Santo Natal.


IV.


E a par d’hymnos sacros, que aos Céos s’elevavam,
O orgão na Igreja seu canto esparzia:
De Christo os Fieis suas preces oravam,
Clamando — Jesus! — Virgem Santa Maria! —

Depois longas trevas o Templo innundando
Com grave silencio, após tanto folgar,
Se via um mancebo piedoso rezando
Aos pés d’uma Cruz, que brilhava no altar.

Um Bardo esse era, vibrando na lyra,
Na lyra saudosa ignota oração
De su’alma emanada, que doce respira
Effluvios d’amor, de sagrada paixão.