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O Inca Titu Cusi Yupanqui e seu TempoEditar

Os incas de Vilcabamba e os Primeiros anos do Domínio EspanhólEditar

Introdução

Quem foram os incas de Vilcabamba? Devemos entender a chamada rebelião de Manco Inca somente como uma resistência que, ao fracassar o obrigou, assim como a seus descendentes, a refugiar nas montanhas a leste de Cusco? Ou deveríamos analisar melhor seu comportamento considerando outros elementos, de forma que possamos observar toda sua complexidade pelo fato de existir por cerca de quarenta anos um reino inca em Vilcabamca? Houve ou não um resurgimento do poderio incaico entre 1560 e 1570? Quais foram as considerações políticas das autoridades espanholas frente a estes acontecimentos? E finalmente, quem foi o Inca Titu Cusi Yupanqui e qual sua importância nesse processo? Tentaremos responder a todos esses questionamentos e para não deixar o leitor em suspense, adiantaremos alguns critérios que permitam contestar brevemente esta última pergunta.

Sendo o penúltimo dos Incas de Vilcabamba, podemos afirmar que a importância histórica de Titu Cusi Yupanqui é equivalente a de Manco Inca (Manco Capac II) um de seus antecessores, reconhecido por manter um cerco aos espanhóis em Cusco por vários meses e de inquietá-los também em Lima. Da mesma forma, Tito Cusi se equipara em prestígio a Túpac Amaru seu sucessor, que fora executado a mando do vice-rei Francisco de Toledo. Mas por que, Titu Cusi foi tão reconhecido se não chegou a organizar uma grande ofensiva contra os colonizadores nem pereceu no cadafalso? Este Inca que governou na segunda metade do século XVI, quando o domínio hispânico nos Andes já era um fato, era um personagem astuto e suficientemente hábil para permitir atemorizar os habitantes das regiões de Cusco e Huamanga, além de preocupar ouvidores e membros dos cabildos assim como adiar por meio de mil subterfúgios a ofensiva final dos espanhóis contra o refugio Inca em Vilcabamba.

Mostrando-se autoritário ao invés de ladino, Titu Cusi Yupanqui soube se relacionar com vice-reis e governadores sem deixar de manter-se retraído no refúgio que fora construído por seu pai.

A época em que se desenrolaram estes acontecimentos fazia parte de uma etapa crucial que ia do inicio da conquista até os primeiros anos do governo do vice-rei Francisco de Toledo, férreo governante e eficiente organizador e administrador, quem de fato implantou o governo real nesta parte do continente americano. Não devemos esquecer que as ações do Inca Titu Cusi Yupanqui não podem ser desligadas do comportamento da elite incaica ante a presença dos espanhóis nos Andes, desde Manco Inca até Tupac Amaru, e tampouco devemos esquecer-nos dos acontecimentos relacionados com o fato fundamental de existir um assentamento de um importante grupo da elite incaica durante cerca de quarenta anos, no território da cordilheira de Vilcabamba, ou seja, nos Andes orientais próximo de Cusco e Huamanga.

A atuação de Manco Inca e seus descendentes permitem observar como uma porção da elite incaica utilizou várias formas de atuação para resolver suas questões fundamentais: a possível recomposição de seu poder, de acordo com as tradições andinas e a adequação ao novo estado de coisas ocasionado pela presença espanhola, ou seja, o processo de conquista e o inicio da colonização espanhola.

Estas questões levaram a formas particulares de resolução tais como negociações, alianças e rebeliões armadas, além da resistência pacífica. Desta forma, podemos observar, que este setor da elite incaica orientou sua política para que, paradoxalmente, adira a sua antiga tradição andina ao mesmo tempo em que se adapta e passa por um processo dramático de assimilação da nova cultura e da nova ordem.

Desta forma vamos observar, ao longo da história de Titu Cusi e dos Incas de Vilcabamba, o desenvolvimento de importantes sucessos inseridos em processos complexos que entrelaçam o final da antiga ordem incaica com a instalação do governo do Vice-reino.

Desta forma incas, conquistadores e autoridades do vice-reino tiveram suas vidas entrecruzadas, da mesma forma que os homens comuns, haturunas (camponeses incas), soldados e colonizadores.

Um historiador de nossa época resume a explicação dessa situação da seguinte forma: ”A população indígena enfrentava uma situação nova com a conquista e a presença espanhola. Não tinham outra alternativa que a de participar no jogo político dos europeus”.

Os Andes na época de Titu Cusi
Relações entre incas e espanhóis
Titu Cusi Yupanqui
O personagem e a época
Governando de Vilcabamba
Titu Cusi
Um Inca atuando no mundo colonial
O desenlace
Epílogo