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"Cada sonho morre às mãos doutro sonho."Eugénio de Andrade
O Monumento aos Mortos da Grande Guerra, Jardim Visconde da Luz, Cascais, Portugal.

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"É preciso partir, é preciso ficar." —Eugénio de Andrade

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Teste 1Editar

PAQUITA


BULHÃO PATO



PAQUITA



POEMA
EM XVI CANTOS



SEGUNDA EDIÇÃO


LISBOA
TYPOGRAPHIA DA ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS
1894



PAQUITA



CANTO PRIMEIRO


irgem d'olhos azues, pallida e triste,

Se esta palavra—adeus—banhada em pranto
Nalgum lance cruel já proferiste;
Se impia mão te roubou ao doce encanto
Do teu primeiro affecto para sempre,—
Virgem d'olhos azues, ouve este canto.


Hoje creio que a musa caprichosa
Me pretende levar ao sentimento;
Vou seguil-a, e desfira saudosa
Os tons da minha lyra ao som do vento.
O verso não é bom, mas não me occorre
Nenhum outro melhor neste momento.


Se ao ler o meu poema palpitasse
O seio juvenil da formosura;
Se o pranto nos seus olhos borbulhasse...
Não o pranto d'angustia e d'amargura,
Mas aquelle celeste orvalho d'alma,
Que provém d'uma fonte de ventura!...


A proposito agora: sempre o homem
É devéras um ser indefinivel!
As lagrimas que abrazam e consomem,
As que sem dó desprende a mão terrivel
Da dor e do ciume, oh! como as préza
Nos olhos da mulher esse ente horrivel!


Teste 2Editar

I


MARÁNOS E ELEONOR




Marános era o Sêr que vagueava
Errante pelo mundo; a creatura
Que mais do seu espirito vivia
Que dos fructos da terra...


 A noite escura​
Em seus olhos se fez; e os povoou
De sombras e de espantos, porque o Espirito
É luz, mas foi a Noite que o criou.


E logo, a sua vida se tornára
Inquieta como o vento e como as ondas;
E mais alta, mais triste e mais sósinha
Do que um êrmo pinheiro alevantado
Na confusão sombria da noitinha...
E partiu pelo mundo; e o acompanhava
Um vulto escuro e palido: era a sombra
Que seu corpo terreno derramava...
Ia tão falto de animo e esperança,
Que apenas o salvou da negra morte
Esta misteriosa sympathia
Que, semelhante á tua lyra, Orfeu,
Sabe encantar a noite e a luz do dia;
Sabe atrair as selvas que murmuram,
As nuvens e os rochedos taciturnos
E as estrelas do céu que nos procuram
Com seus olhos de eterna claridade.
Por isso, ele ia andando n'este triste
Enlevo da paisagem, n'este encanto
Que paira sobre as cousas e assemelha
Um murmurio de Deus, divino canto...


No madrugar do outono, quando as nuvens
Aparecem no mundo; no arripio
Anunciador do Inverno, êrmo Phantasma
De cinza, folhas mortas, vento frio,
Chegou, de noite, a um sitio com pinheiros
E luar entre nevoas, situado
N'um alto que domina dois outeiros,
Um rio, um vale e, ao longe, uma montanha...
E ali parou Marános pensativo...
E um silencio de lagrimas descia
Sobre o seu coração aflicto e mudo,
Que uma aragem de medo arrefecia,
Quando viu, muito perto, um Vulto branco
Desenhar-se na sombra do arvoredo,
Em diluidas fórmas e apagados
Contornos de esplendor e de segredo...
E Marános, confuso, olhava, olhava,
Aquela Aparição que deante d'ele,
Em brumas e silencios ocultava
Sua expressão perfeita e definida.


A Lua, que era nova e ia espargindo
Um luminoso e vago encantamento
Nas êrmas cousas pálidas, sorrindo,
Mostrou-se d'entre as nuvens que se abriram;
E então com mais clareza e nitidez
A pôde contemplar; e, surprehendido
Ante a subita graça e esplendidez
Que em volta irradiava aquela estranha,
Mysteriosa e mystica Figura
Que seus olhos, ao vê-la, a imaginaram
Vinda de além da propria Formosura,
Lhe disse, n'uma voz que estranho mêdo
Agitára e turbára:


 «Quem és tu,
Que n'esta solidão saudosamente
Me empeces? D'onde vens? Porque decreto?
És do mundo e da vida? ou simplesmente
Ilusorio Phantasma de beleza?
D'estas sombras chimericas que pairam
Á superfície irreal da Natureza...
Alvas fórmas aéreas, fluctuantes
Do coração da Noite esparso e oculto?...»


E a penumbra sentiu-se trespassada
Pela voz de Marános que era um vulto
De som: era uma sombra que se ouvia...


E a nocturna Visão aproximando-se
Do nocturno viandante:


 «Eu sou aquela
Nuvem que teu espirito derrama
Sobre o mundo que a sente... assim a estrela
Sente, de longe, os olhos que a contemplam...
Eu sou a tua Alma aparecida; Creatura imortal da tua dôr,
E vivo como tu, mas outra vida...
E choro como tu, mas outras lagrimas...
Este meu corpo mystico e velado,
Repára, é irmão do teu; mas um segredo
Que nunca foi aos homens revelado
Reveste-me de nevoas, faz de mim
A Sombra que fala... Em breve tempo
Tu saberás, Marános, porque vim,
A este monte sósinho...»


 E no silencio
Tinha um alto relevo musical
A voz da Aparição que n'estes versos,
É uma voz morta, um echo sepulchral,
Quasi frio silencio doloroso...


E a Voz, sobresaltada, continúa:


«Levanta para mim os olhos tristes...
Entre eles e o meu corpo a luz da Lua
Abre abysmos de sonho e de tristeza.
Eu venho do mysterio que perturba
A noite do teu sêr... E quem sou eu?
A tua propria Alma, a Creatura
Que voluptuosamente concebeu
E deu á luz escura da Penumbra
Teu corpo de animal e de tragedia,
Que treme, que se espanta e se deslumbra
Ante a sua perfeita Creação...
Eu sou a tua Alma aparecida:
Sou a tua Mulher! Ah, tu não sabes