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Vã tentativa
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Com que chave eu abri aquela pedra fria
De um morto coração? Onde a achei? Foi preciso
Ter perdido a razão, ter perdido o juízo.
Ir ao fundo do mar, e encontrá-la? — Seria?

Foi, como foi. — Passai, vós, que a quereis. — Um dia
Ela acabou meu sonho, e continuou meu riso,
Deu mais oiro ao azul, pouco ao meu paraíso;
Sua alegria fez cantar minha alegria...

Fora empresa infeliz se agora alguém tentasse
Limpar o eco dos meus lábios na sua face...
Quereis lutar? Descei, deuses; vinde: eu desejo.

Mas sabei que embrulhado inda em tufões o oceano,
Passando e repassando ano e ano após ano,
Não lhe lava um sinal, que pôs nela o meu beijo...