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Velhice verdejante
por Luís Delfino
Publicada em Rosas Negras.


Noventa e tantos anos ela tinha,
Sem ter as nuvens dessa grande idade:
Guardara a força, a chama, a mocidade
Da alma, que tanta gente perde asinha.

Viveu na paz da pérola marinha,
Que ouve de longe o grito à tempestade,
E foi da extensa vida à eternidade
Como quem para um certo fim caminha.
 
Por ser magra, mais alta parecia;
Era como uma seta na estatura:
— Flexível, grácil, longa, reta, esguia.
 
Fora, em moça, de esplêndida brancura;
E o áureo casco da trança, que a cobria,
Levou consigo intacto à sepultura.