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É um velho paiz, de luz e sombras

(É um velho paiz, de luz e sombras)
por Machado de Assis, traduzido por Joaquim Maria Serra Sobrinho
Tradução do poema Un vieux pays. Poema agrupado posteriormente e publicado em Falenas.
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Nota de Machado de Assis

Perdoem-me estes versos em francez; e para que de todo em todo não fique a pagina perdida aqui lhes dou a traducção que fez dos meus versos o talentoso poeta maranhense Joaquim Serra:


É um velho paiz, de luz e sombras,
Onde o dia traz pranto, e a noite a scisma;
Um paiz de orações e de blasphemia,
N'elle a crença na duvida se abysma.

Ahi mal narce a flôr o verme a corta,
O mar é um escarcéo, e o sol sombrio;
Se a ventura n'um sonho transparece
A suffoca em seus braços o fastio.

Quando o amor, qual sphynge indecifravel,
Ahi vai a bramir, perdido o sizo...
Ás vezes ri alegre, e outras vezes
É um triste soluço esse sorriso...

Vive-se n'esse e paiz com a mágoa e o riso;
Quem d'elle se ausentou treme e maldiz;
Mas ai, eu n'elle passo a mocidade,
Pois é meu coração esse paiz!