Eneida Brazileira/Ao público

AO PUBLICO.



Sumite materiam vestris, qui scribitis, aequam
Viribus. . .
(Horat.)


Não possuindo o ingenho indispensavel para emprehender uma obra original ao menos de segunda ordem, persuadido porêm de que o estudo da lingua e a frequente lição da poesía me habilitavam para verter em portuguez a epopéa mais do meu gôsto; annos ha, com a Eneida me tenho occupado. Por contente me dou se obtenho um lugar ao pé de Annibal Caro, Pope, Monti, Francisco Manuel, e de outros bons traductores poetas; e, a ser-me isto vedado, consólo-me com o prazer bebido nas ficções de Virgilio; cujos versos, á medida que os ia passando, me transportavam ao tempo em que, aprendendo o latim sob o meu saudoso amigo Fr. Ignacio Caetano de Vilhena Ribeiro, vivi na patria com os condiscipulos, sem cuidados nem dissabores. Este prazer, em verdade, foi o que me sustentou em tam ardua e longa tarefa, ainda mais que o desejo de louvores; os quaes todavia agradam ao nosso amor proprio, e folgarei de os merecer.

M. O. M.