Fabulas de Narizinho/A onça, a anta e o macaco

A onça, a anta e o macaco

A onça, ao voltar da caça, com uma veadinha nos dentes, encontrou a sua tóca vazia.

Desesperada, esguelou-se em urros que enchiam de espanto a floresta. Assustada com aquillo uma anta veio indagar o que era.

— Mataram-me as filhas! gemeu a onça. Infames caçadores commetteram o maior dos crimes: mataram-me as filhas!...

E de novo urrou, desesperadamente, espojando-se na terra e arranhando-se com as unhas.

Diz a anta:

— Não vejo motivo para tamanho barulho!... Fizeram-te uma vez o que fazes todos os dias. Não andas sempre a comer os filhos dos outros? Inda agora não mataste a filha da veada?

A onça arregalou os olhos, como que espantada da estupidez da anta.

— O' grosseira creatura! Então queres comparar os filhos dos outros com os meus? E equiparar a minha dôr á dôr dos outros?

Um macaco que do alto do seu galho assistia á scena metteu o bedelho na conversa.

— Amiga onça, é sempre assim. Pimenta na bocca dos outros não arde...



Esta obra entrou em domínio público pela lei 9610 de 1998, Título III, Art. 41.


Caso seja uma obra publicada pela primeira vez entre 1929 e 1977 certamente não estará em domínio público nos Estados Unidos da América.