XLVII

Aurora Espiritual


Quando sobre o festim, pela janela aberta,
Junta a aurora seus tons ao Ideal roedor,
Por uma operação d’um filtro vingador
Na besta adormecida ha um anjo que desperta.

Dos Ceus Espirituaes o inacessivel manto,
Para o pobre mortal caído em paroxismo,
Ora se abre ora cerra em atracções de abismo.
Assim, Deusa mortal, Ser luminoso e santo,

No torpor que sucede ás celas libertinas,
Tua recordação, mais bela e mais veemente,
Aos meus olhos febris surje constantemente.

O Sol amorteceu a luz das serpentinas,
Mas, sempre vencedor, teu rosto é semelhante,
O alma luminosa, ao sol mais deslumbrante!