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O Poeta do Hediondo
por Augusto dos Anjos


Sofro aceleradíssimas pancadas

No coração. Ataca-me a existência

A mortificadora coalescência

Das desgraças humanas congregadas!


Em alucinatórias cavalgadas,

Eu sinto, então, sondando-me a consciência

A ultra-inquisitorial clarividência

De todas as neuronas acordadas!


Quanto me dói no cérebro esta sonda!

Ah Certamente eu sou a mais hedionda

Generalização do Desconforto...


Eu sou aquele que ficou sozinho

Cantando sobre os ossos do caminho

A poesia de tudo quanto é morto!

(Outras Poesias, 18)