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O Sarcófago
por Augusto dos Anjos


Senhor da alta hermenêutica do Fado

Perlustro o atrium da Morte... É frio o ambiente

E a chuva corta inexoravelmente

O dorso de um sarcófago molhado!


Ah! Ninguém ouve o soluçante brado

De dor profunda, acérrima e latente,

Que o sarcófago, ereto e imóvel, sente

Em sua própria sombra sepultado!


Dói-lhe (quem sabe?!) essa grandeza horrível,

Que em toda a sua máscara se expande,

À humana comoção impondo-a, inteira...


Dói-lhe, em suma, perante o Incognoscível,

Essa fatalidade de ser grande

Para guardar unicamente poeira!


(Outras Poesias, 13)