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O leque
por De-Tan-Jo-Lu, traduzido por Machado de Assis
Poema agrupado posteriormente e publicado em FalenasLira Chinesa. Retraduzido em lingua portuguesa a partir da tradução em francês por Judith Walter [1].

Na perfumada alcova a esposa estava,
Noiva ainda na vespera. Fazia
Calor intenso; a pobre moça ardia
Com fino leque as faces refrescava.
Ora, no leque em boa lettra feito
        Havia este conceito:

«Quando, immovel o vento e o ar pesado,
        «Arder o intenso estio,
«Serei por mão amiga ambicionado;
        «Mas volte o tempo frio,
«Ver-me-heis a um canto logo abandonado.»

Lê a esposa este aviso, e o pensamento
        Volve ao joven marido.
«Arde-lhe o coração n′este momento
«(Diz ella) e vem buscar enternecido
«Brandas auras de amor. Quando mais tarde
        «Tornar-se em cinza fria
        «O fogo que hoje lhe arde,
«Talvez me esqueça e me desdenhe um dia.»

NotasEditar

  1. ver Phalenas (1870), p. 215, em nota do próprio Machado de Assis.