dirigiu-se para a sua saleta de costura, e tentou acabar um avental da neta; mas os dedos preguiçosos pararam no ar e o aventalzinho escarlate caiu-lhe sobre os joelhos tão incompleto, depois de meia hora de manuseado, como estava antes.

Arguía em mente a sua fraqueza e indolência.

Via irem as coisas por água abaixo e não fazia nem sequer um aceno para prendê-las! Não era tempo de tomar uma resolução?

A culpabilidade dos outros atemorizava-a?

O dever das mães não é defender os filhos até a morte?

A sua passividade não era, portanto, um crime, e não seria tempo de pôr em ação o seu desejo, até agora sufocado pelas mãos dos outros, de reaver para a sua Maria o coração de Argemiro e guardá-la lá dentro, como santa única em devoto oratório?!

À força de pensar nisso, materializava as imagens, dava corpo e sangue às suas idéias, pronta a bater-se por elas até o último alento.

Recriminava-se agora da sua altivez, mandando calar-se o negro quando este lhe ia relatar o resultado da sua espionagem... Que tola generosidade fora a sua, e de que desencontrados sentimentos são vítimas as criaturas humanas... Repelira também o alvitre da cartomante, cansada de esperar pela carta anunciada...