A Nina, coitada, emagrecia como um arenque, e só Ruth passava sem ver nada, como se a música a levasse por outros caminhos... O patrão... esse também ruminava qualquer coisa...

Quem provocava confidências indiscretas da mulata era Nina, que, com o pretexto de passar uma gravata ou alisar uma fita, ia à saleta do engomado logo que dela via sair o Dionísio.

A mulata, percebia tudo e não tinha escrúpulos em repetir a verdade. Ora, aquilo talvez curasse a moça, pensava consigo. Se os amores não passassem, que seria da gente? O coração quer-se à larga. Sofrer por causa de um homem ? Não vê!

Nina, com os olhos úmidos, as mãos curtas, de dedos ligeiramente achatados, espalmados na tábua ainda quente do ferro, escutava tudo muito caladinha e, quando a última palavra caía dos beiços grossos da Noca e que a mulata começava a assoprar as brasas, ela voltava para dentro, sentava-se a coser, achando-se mesquinha, feia e muito desgraçada. Todos os esforços que fazia por agradar eram inúteis; Mário nem parecia vê-la e mal parava em casa... A outra era bonita; morena e altinha. Era pouco o que sabia, mas o bastante para a fazer sofrer.