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A ILUSTRE CASA DE RAMIRES

Torre de D. Ramiresencalhado... Mas quê! não podia, com aquelle calor, com o afan da Eleição, remergulhar nas eras Affonsinas!

Quando refrescavam as tardes lentas montava, alongava o passeio pelas freguezias, não se descuidando das recommendações do Cavalleiro — enchendo sempre o bolso de rebuçados d’avenca para atirar ás creanças. Mas, n’uma carta ao querido André, já confessára que «a sua popularidade não crescia, não enfunava...» — «Não! positivamente, velho amigo, não tenho o dom! Sei apenas palestrar familiarmente com os homens, comprimentar pelo seu nome as velhas ás soleiras das portas, gracejar com a pequenada, e se encontro uma boeirinha de saiasita rota dar cinco tostões á boeirinha para uma saiasita nova... Ora todas estas cousas tão naturaes sempre as fiz naturalmente, desde rapaz, sem que me conquistassem influencia sensivel... Necessito portanto que essa querida Authoridade m’empurre com o seu braço possante e destro...»

Todavia já uma tarde, encontrando junto da Torre o velho Cosme de Nacejas, e depois, n’um domingo, crusando ás Ave-Mariasna Bica-Santa o Adrião Pinto do logar da Levada, ambos lavradores considerados e remexedores d’eleições — lhes pedira os votos, desprendidamente e rindo. E quasi se assombrára da promptidão, do fervor, com que ambos se