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ÁS MULHERES PORTUGUÊSAS
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continuarem na ignorancia e na inactividade, tudo esperando do homem, que as hade procurar para a sua conveniencia.

As escolas estão abertas por igual aos dois sexos e não ha já quem, nesta hora alta da civilisação, se atreva a banir dellas um individuo que as queira frequentar sob o pretexto da diferenca do sexo.

Tempos atrás, quando a mulher pensava em sahir do anonimato da sua missão caseira, tinha apenas por campo aberto á sua actividade, a literatura, visto que é a unica profissão onde o talento e o estudo individual dispensam a educação preparatoria.

Hoje não é assim. Toda a gente aceita uma senhora que tem a profissão de medica, pintora, esculptora, engenheira ou professora, tudo que requer habilitações e estudos publicos, e que lhe tinham ensinado a crêr que nunca poderia atingir por falta de genio criador e persistencia no estudo.

Não se sobresaltem os homens com a concorrencia, que é antes auxilio. Pequena, por mal da humanidade, hade ser sempre a percen-