Mas economisava ridiculamente em todas as verbas, para que ella, a rainha, a perola, a Margarita dos seus sonhos d’outro tempo não franzisse um minuto a sua testa curta, a sua testa de teimosa, na contrariedade de um desejo insaciado.
E ella estava tão habituada á submissão e á humildade d’aquelle pária, que o tratava como um traste, um objecto seu, com o qual não tinha de mostrar o minimo constrangimento, a minima attenção affectuosa.
— Thadeu, quero isto! Thadeu, quero aquillo! Thadeu, vi hoje na loja de F. um adereço de um conto de réis. Se o não mandar buscar até ámanhã vendem-n’o. Eu quero-o. Não me deixes ficar sem elle. Fazias-me chorar!
Não lhe pedia a lua como em outro tempo, mas quantas vezes lhe pedia cousas quasi tão inacessiveis como a lua!
Margarida tinha dous filhos. Um menino e uma menina. Dous cherubins.
Mais meigos do que a mãe nunca fôra, mais doceis, mais tranquillos, tendo no olhar a serenidade melancolica do olhar de seu pae!
Thadeu envelhecido, de uma velhice precoce que assombrava os que o haviam conhecido na infancia, tinha por essas duas creanças um louco amor de avô.