NÃO SEI
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Era preciso um bilhete!
Mais prompto do que um foguete
O tal bilhete comprei,
As pessoas repellindo
Que ao pé do postigo achei,
Descomposturas ouvindo
A’s quaes attenção não dei.
Por causa dessa delonga,
Não mais teu vulto avistei:
Dos vagons na cauda longa
Debalde te procurei.
Afinal, por f’licidade,
Num cantinho te encontrei,
E um sorriso de bondade
Nos teus labios divisei,
Compensação generosa
Da massada que apanhei,
Promessa vaga e mimosa
Das delicias que sonhei...
Logar havia ao teu lado,
Ao teu lado me sentei,
Tão suado, tão cançado,
Que compaixão te causei.
— Em que suburbio reside?
Arquejante perguntei.
— Responda, não se intimide...
Tu respondeste: Não sei —
— «Não sei!» Sempre «não sei!» Outra coisa
[responda,
E aos meus olhos os seus, o’bella, não esconda!