Julinha me compreendera e me consolava. A boa menina, vendo-me infeliz, começou ingenuamente a amar-me, mas sem consciência e sem egoísmo, unicamente por uma força invencível de sua extrema sensibilidade. Cheguei a iludir-me; pensei que também amava essa menina, mas o que eu amei em Júlia foi só o que vinha de Emília, o que ela conversava comigo a respeito de sua prima.

— Não se aflija! Mila gosta do senhor, eu sei! dizia-me Julinha.

— Ela confessou-lhe alguma vez?

— Não; ela nunca me fez confidências; mas eu a conheço muito!

— Gosta de mim, como daqueles que a cercam neste momento. Olhe!...

— Não acredite! Zomba de todos eles.

Emília viu a minha assiduidade junto à prima. Mas percebeu ela o que se passava em mim, apesar dos meus esforços para simular indiferença?

Não sei.

Uma noite aproximou-se para dizer-me com um sorriso ameno:

— Os seus novos amores não toleram nem mesmo as antigas amizades?

Confesso-te a minha vergonha, Paulo. Nunca o império dessa mulher sobre mim foi tão tirânico como nesse tempo em que me violentava para arrancar minha alma à sua funesta influência.

Emília tinha seduções tão poderosas, que era