DOM JOAO VI NO BRAZIL 941

Estados Unidos, reputando-o em tal assumpto muito mais

adiantado do que os seus cortezaos.

Sao tragos todos esses mai authenticos e fidedignos na sua sympathica nobreza do que as anecdotas picarescas que valeram a Dom Joao VI um renome talvez nao usurpado si contido nos limites do desenho e nao puxado ate a caricatura - de desmazelo bonacheirao e de esperteza saloia, uma aureola barata de bonhomme Richard coroado, uma fama de rei philosopho, que apimentavam suas desventuras con- jugaes e a que emprestava verosimilhanga o seu physico in- grato, homely como bruscamente o qualificou Prior.

Baixo, gordo, sanguineo, tinha de aristocratico as maos e pes muito pcquenos, mas de vulgar as coxas e pernas muito grossas mesmo em relagao a corpulencia, e sobretudo um rosto redondo em magestade nem sequer distincgao, no qual avultava o labio inferior espesso e pendente dos Habsburgos, sem porem a maxilla protuberante e o queixo pontudo de alguns dos principes austriacos, cujos retratos nos foram lega- dos por celebres artistas que de certo nao aninhariam tal proposito maldoso como exemplares indiscutiveis de dege- nerescencia.

Em Dom Joao VI as imperfeigoes de todo ser humano nao chegavam para que desmerecessem as solidas qualidades. Si era timido, pusillanime mesmo, como tal egoista, resen- tido, ciumento de attengoes, amigo de monopolizar as defe- rencias e inimigo de perdoar os aggravos menores, tambem era clemente, misericordioso nas grandes occasioes quando se fazia appello directo ao seu coragao, arguto em qualquer emergencia, raramente ou nunca perdendo o equilibrio mo ral, tao generoso para com seus famulos e validos quanto economico comsigo, estudioso aferrado dos negocios publicos

n. j. 59

�� �