Se arrasastes de Troya os altos muros
Para o crime punir, que amor causára,
Então porque soffreis ha largos annos
Estupros e adulterios?
Foram assento e berço ás doutas musas
O sagrado Hellicon, Parnaso e Pindo:
Moral, sabedoria, humanidade
Fez vecejar a lyra.
Ante Hellenicas proas se acamava
Euxino, Egeo — e mil colonias iam
Levar artes e leis ás rudes plagas
E da Lybia e da Europa.
Se Sparta ambiciosa, Athenas, Thebas,
O fratricida braço não tivessem
Em seu sangue banhado, nunca a Grecia
Curvára o collo a Roma.
Assás sorvestes já milhões de insultos.
Já longa escravidão pagou teus crimes,
O céo tem perdoado. Eia, já cumpre
Ser Hellenos, ser homens.
Eia, gregos, jurae, mostrae ao mundo
Que sois dignos de ser quaes fostes antes:
Eia, morrei de todo, ou sêde livres. —