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ESPUMAS FLUCTUANTES


II

Olhai! O sol descamba... A tarde harmoniosa
Envolve luminosa a Grécia em frouxo véo.
Na entrada ao som da vaga, ao suspirar do vento,
De um marco poeirento um velho então se ergueu.

Ergueu-se tacteando.. é cego... o cego anceia...
Porém o que tacteia aquella augusta mão?...
Talvez busca pegar o sol, que lento expira!...
Fado cruel!... mentira!... Homero pede pão!

III

Mas ai! volvei, senhora, os vossos bellos olhos
Daquelle mar d′abrolhos aum novo quadro; olhai!
Do vasto salão gothico eu ergo o reposteiro...
O lar é hospitaleiro... Entrai, senhora, entrai!

Estamos na média idade. Arnez, gladio, armadura
Servem de compostura á sala vasta e chã.
A um lado um galgo esvelto ameiga e acaricia
A mão suave, esguia — á loura castellã.

Vai o banquete em meio... O bardo se alevanta
Pegada lyra... canta uma canção de amor...
Ouvi-o! Para ouvii-o a estrella pensativa
Alonga pela ogiva um raio de languor!