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ESPUMAS FLUCTUANTES


E tu folgas, bacchante dos amores,
E a orgia que a mantilha te arregaça,
Enche a noite de horror, de mais horrores...

É sangue que referve-te na taça!

É sangue que borrifa-te estas flores!

E este sangue é meu sangue... ó meu... Desgraça!

5′ E 6« SOMBRAS

CÂNDIDA E LAURA

Como no tanque de um palácio mago,
Dous alvos cysnes na bacia lisa,
Como nas aguas que o barqueiro friza,
Dous nenuphares sobre o azul do lago.

Como nas hastes em balouço vago,
Dous lyrios roxos que acalenta a briza,
Como um casal de juritys que pisa
O mesmo ramo no amoroso aífago...

Quaes dous planetas na cerúlea esphera,
Como os primeiros pâmpanos das vinhas,
Como 08 renovos nos ramaes da hera,

Eu vos vejo passar nas noites minhas,
Crianças, que trazeis-me a primavera....
Crianças, que lembrais-me as andorinhas!.