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PROLOGO

sumiam-se, abysmavara-se n′uma especie de naufragio celeste.

Só e triste, encostado á borda do navio, eu seguia com os olhos aquelle esvaecimento indefinido e minha alma apegava-se á forma vacillante das montanhas — derradeiras atalaias dos meus arraiaes da mocidade.

É que lá dessas terras do sul, para onde eu levára o fogo de todos os enthusiasmos, o viço de todas as illusões, os meus vinte annos de seiva e de mocidade, as minhas esperanças de gloria e de futuro.... é que dessas terras do sul, onde eu penetrára «como o moço Raphael subindo as escadas do Vaticano»... volvia agora silencioso e alquebrado... trazendo por unica ambição — a esperança de repouso em minha patria.

Foi então que, em face destas duas tristezas — a noite que descia dos céos, — a solidão que subia do oceano, — recordei-me de vós, ó meus amigos!

E tive pena de lembrar que em breve nada restaria do peregrino na terra hospitaleira onde vagára; nem sequer a lembrança desta alma, que comvosco e por vós vivêra e sentira, gemêra e cantára...

Ó espiritos errantes sobre a terra! Ó vélas enfunadas sobre os mares!... Vós bem sabeis quanto sois ephemeros... — passageiros que vos absorveis no espaço escuro, ou no escuro esquecimento.

E quando — comediantes do infinito — vos obum-