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ESPUMAS FLUCTUANTES

D′Asia as florestas — lhe negaram sombra,
A savana sem fim — negou-lhe alfombra,
          O chão negou-lhe o pó!...
Tabas, serralhos, tendas e solares...
Ninguem lhe abriu a porta de seus lares
          E o triste seguiu só.

Viu povos de mil climas, viu mil raças,
E não pôde, entre tantas populaças,
          Beijar uma só mão...
Desde a virgem do norte á de Sevilhas,
Desde a ingleza á crioula das Antilhas
          Não teve um coração!...

E caminhou!... E as tribus se afastavam
E as mulheres tremendo murmuravam
          Com respeito e pavor.
Ai! fazia tremer do valle á serra...
Elle que só pedia sobre a terra
          — Silencio, paz e amor! —

No emtanto á noite, se o Hebreu passava,
Um murmurio de inveja se elevava,
Desde a flôr da campina ao colibri.
«Elle não morre» a multidão dizia...
E o precito comsigo respondia:
          — Ai! mas nunca vivi! —