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ESPUMAS FLUCTUANTES
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II

Dorme, cidade maldicta,
Teu somno de escravidão!...
Dorme, vestal da pureza,
Sobre os cochins do Sultão!...
Dorme, filha da Georgia.
Prostituta em negra orgia,
Sê hoje Lucrecia Borgia
Da deshonra no balcão!...

Dormir?!... Não! Que a infame grita
Lá se alevanta fatal...
Corre o champagne e a deshonra
Na orgia descommunal...
Na fronte já tens um laço...
Cadêas de ouro no braço,
De perolas um baraço,
— Adornos da satural!

Louca!... Nem sabe que as luzes,
Que accendeu p′ra as saturnaes,
São do enterro de seus brios
Tristes cirios funeraes...
Que o seu grito de alegria
É o estertor da agonia,
A que responde a ironia.
Do riso de Satanaz!...