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ESPUMAS FLUCTUANTES

E a terra é medonha... As arvores núas
Espectros semelham fincados de pé,
Com os braços de mumias, que os ventos retorcem,
Tremendo a esse grito, que estranho lhes é.

Desperta o infinito... Co′a boca entreaberta
Respira a borrasca do largo pulmão.
Ao longe o oceano sacode as espaduas
— Encélado novo calcado no chão.

É noite de horrores... Por invio caminho
Um vulto sombrio sósinho passou,
Co′a noite no peito, co′a noite no busto
Subiu pelo monte... nas cimas parou.

Cabellos esparsos ao sopro dos ventos,
Olhar desvairado, sinistro, fatal.
Dirieis estatua roçando nas nuvens,
P′ra qual a montanha se fez pedestal.

Rugia a procella — nem elle escutava!...
Mil raios choviam — nem elle os fitou!
Com a dextra apontando bem longe a cidade.
Após largo tempo sombrio fallou!

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