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Duarte Nunes de Leaõ, ao qual devemos o saber que o Regimento da Justiça era escrito em latim, o que Fr. Bernardo de Brito nos tinha deixado ignorar, naõ é muito mais explicito do que elle; pois sendo naõ menos habil chronista que filologo, fala comtudo bem ligeiramente de um livro, que ja no seu tempo devia ser precioso, ao menos pela antiguidade e pelo auctor. Mas seja qual for a causa da obscuridade com que estes dois auctores se explicaõ, os outros que se lhes seguíraõ, souberaõ a este respeito somente o que elles lhes ensinaraõ. Faria e Souza copiou exactamente Duarte Nunes, posto que o naõ citasse, e sobre o testemunho do mesmo Duarte Nunes se fundou o laborioso D. Antonio Caetano de Souza em tudo o que sobre isto escreveo na Historia Genealogica.

Tal era a noticia que havia dos escritos do Sr. D. Duarte, quando Joaõ Franco Barreto deparou na livraria da Cartuxa d'Evora com uma grande quantidade de obras de pequena extensaõ, compostas pelo dito Monarcha, cujos os titulos consignou na sua Biblioteca, e da qual D. Antonio Caetano de Souza os copiou nas Provas de Historia Genealogica, e imprimio mesmo algumas das referidas obras, sobre uma copia do Conde da Ericeira, para que, diz elle, de todo se naõ perca a memoria de seus preciosos trabalhos, taõ dignos de estimaçaõ.

Desta succinta exposiçaõ parece colligir-se que Fr. Bernardo de Brito e Duarte Nunes naõ víraõ mais do que os fragmentos do bom governo da justiça; e Joaõ Franco Barreto, pretendo dar-nos o catalogo completo das obras do Sr. D. Duarte, naõ teve paciencia para o acabar; pois diz no fim do que nos transmittio e outras muitas obras (ainda que breves) de muito engenho e erudiçaõ. Diogo Barbosa, deo-nos menos que Joaõ Franco Barreto; e D. Antonio Caetano de Souza, que imprimio algumas deque os dois primeiros naõ deraõ noticia, nos titulos de outras, naõ