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na pintura, no romance ou no teatro, e adora o maravilhoso e o fantástico. São como as crianças.

O mercador do Brasil, quando não sonhe outras quimeras, com uma nunca deixar de sonhar — é a da comenda. E, mal a suponha realizada, começa a sonhar com o título de barão, e depois com o de visconde ou conde.

Ora, se o poeta, ou qualquer homem de talento só tem ilusões dentro do seu ideal artístico ou científico, ao contrário do que sucede ao homem de vida prática, e, se para a felicidade doméstica da mulher, é indispensável a ilusão do amor por parte do marido, segue-se para que este fim é preferível entre aqueles o segundo e não o primeiro. E, como nos diversos ramos da atividade material, o comércio leva grandes vantagens sobre todas as outras ocupações desse gênero, conclui-se que o negociante é quem melhor preenche o ideal do esposo.

— Então, a mulher só pode ser feliz casando-se com um negociante? perguntar-me-ão talvez.

— Não digo isso; mas, com efeito, nessa