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como um grande favor, uma coisa que no fim de contas é do meu direito!

Era a primeira vez que meu genro me falava com semelhante aspereza. Até aí sempre me guardara respeito, fugindo até a discutir comigo. Produziram-me pois má impressão o tom e a forma do seu protesto; mas, no íntimo dos meus interesses maternais, ria de gozo por ver aquele desespero com que o pobre rapaz disputava mais uma noite ao lado da esposa, e a comoção e ardor com que esta o acompanhava nesse empenho.

Definitivamente o suspirado milagre do amor matrimonial tinha-o eu realizado em benefício de minha filha!

Mas Leandro prosseguiu entredentes:

— Afinal, por menos que se pareçam as sogras, hão de ser sempre sogras!

— Que quer meu genro dizer com isso?... perguntei, agora ressentida, a despeito de tudo.

Aquela terrível palavra "Sogra", tão mal reputada e tão corrompida pelo mau gosto dos zombeteiros da imprensa, lançada assim à queima-roupa, produziu-me o efeito do mais feio insulto.

Ele respostou: