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a bordo do paquete inglês que tinha de levar Leandro, vi saltarem dos olhos de Palmira as lágrimas que ela dava em sacrifício da conservação do seu amor conjugal.

Ah! tomara eu aquelas lágrimas, na minha mocidade! Quem me dera tê-las um dia chorado!...

Meu genro chorou também, e isso me comoveu, a despeito do modo frouxo por que ele, por mera formalidade, me abraçou em despedida. Antes assim, porém, do que ter abraços seus bem apertados e sinceros sabendo que os outros, dados à esposa, haviam de afrouxar em breve. Deplorável que és tu, meu pobre coração de mulher! nesse momento, em que meus olhos choravam tanto como os de Palmira, tive vontade de chamar para meu peito de mãe aquele criançola resmungão e aquietá-lo com carícias: No fim de contas, apesar de tudo, era ele, sem consciência disso, o meu associado na obra da felicidade de minha filha. E esta o amava tanto, que seria impossível deixar de amá-lo eu também. Contudo, Leandro me detestava o ingrato!

E a dor forte daquela separação de minha filha e meu genro, lembrou-me outra separação também