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tendo estudado minuciosamente o meu próprio coração e o coração de meu marido, e depois de uma longa e paciente observação de todos os instantes da vida de casados que nós dois tivemos, tirei a base e a substância da minha filosofia sobre o amor conjugal e os meios práticos de obter-lhe a duração.

Não o fiz por mim, mas só por minha filha, a minha Palmira, a flor mimosa dos verdadeiros encantos da minha vida de moça, o ser único a quem neste mundo dei, até certo momento da velhice, todo inteiro o meu coração, a quem dei todo o meu amor, sem a mais ligeira reserva de ternura e sem a menor hipocrisia nos sorrisos e nos beijos. Amei-a mesmo antes que ela nascesse, amei-a cada vez mais durante a existência, e creio que ainda a amaria sempre depois de sua morte. Nunca neste amor descobri as falhas de tédio, de cansaço, e até de absoluto enjôo, que infelizmente, logo desde o começo da minha vida conjugal, descobri no amor que eu votava ao meu bom e querido esposo. No meio do maior aborrecimento, no mais ingrato instante das horas de desânimo, a presença de minha filha era sempre uma consolação e um repouso;