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Pois se eu, cônscio da minha íntima probidade conjugal, amando minha mulher como a amei sempre, não pude furtar-me à cruel e misteriosa lei que me obriga, contra a própria razão, a sentir-me farto e cansado da sua ternura, quanto mais se eu fosse um esposo vulgar, sem escrúpulos, e sem domínio sobre si para chamar a consciência, o coração, e até os sentidos, ao bom e leal desempenho dos seus deveres?... O que seria então?... Que horrorosa vida não teria dado à minha mulher se não fora eu tão honestamente rigoroso no desempenho do meu papel de esposo?... Que mundo de dores e desgostos lhe teria eu proporcionado, se ela descobrisse o sacrifício com que às vezes suporto as suas carícias e a hipocrisia com que as retribuo ou provoco?...

O marido de minha filha terá, como eu, a delicadeza, a bondade, de se não revoltar, de submeter-se passivamente à convenção matrimonial, calcando no íntimo as revoltas do tédio, e resistindo heroicamente às solicitações externas, como eu resisti sempre até aqui?

A pertinaz sedução de mais de uma formosa mulher, que encontrei na sociedade, quebrou-se contra os meus princípios de moral; e Olímpia, que é inteligente, bem o percebeu e bem mo