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do seu lar e para não perturbar a suposta tranqüilidade da sua vida conjugal, quer que ele, ao entrar casado na câmara nupcial, despeje para sempre o coração de todos os seus sonhos de glória; quer que ele abdique, em proveito do seu novo estado, de todas as suas ambições brilhantes, de todo o seu ideal de conquistas na vida pública. E desse dia em diante, tudo que nele for pessoal e de alcance exterior encontrará nela um inimigo terrível. No triunfo individual dele ela verá uma perene ameaça aos seus direitos de proprietária conjugal. A felicidade particular dele, posto que de caráter moral, será por ela considerada um roubo, um atentado cometido contra a solidariedade do casal. Que ele seja um "Bom marido" é o essencial, é quanto basta; é tudo o que ela exige dele e é só o que ela consente que ele ambicione.

E para ser um "Bom marido" convém que ele seja caseiro, metódico, pacato, previdente; que disponha de recursos para manter a família, e não tenha a menor ambição de nome. O que por aí se chama "Bom marido" é um ser genérico e coletivo, que, por si só, particularmente,