Página:Livro de uma sogra.djvu/62


nada representa, e que não pode ser aproveitado, na cadeia dos interesses gerais da vida humana, senão como simples e obscuro elemento de procriação. Um bom marido é útil somente porque produz filhos.

Para ser um bom marido não pode o indivíduo ser um "homem de ação", como não pode ser um "contemplativo". Não pode ser um conquistador, um revolucionário ou um grande empreendedor, como não pode ser um poeta, um artista ou um sábio. E como são essas as duas únicas ordens em que se divide a humanidade produtora, da soma de cujo esforço de ação ou de pensamento tira a evolução histórica a sua grande força de impulso e de aperfeiçoamento geral, segue-se que o "Bom marido", na comunhão da vida inteligente e na obra do progresso do mundo, não tem lugar como homem, mas só como animal, e seu esforço só poderá ser aproveitado como passivo instrumento da vontade alheia.

Por isso um bom marido deve ser única e exclusivamente um bom marido, e nisso limitar toda a sua aspiração. Um bom marido não deve ter pátria, nem idéias. A sua pátria é a casa, e o programa de todo o seu pensamento