vasto espelho da natureza, a sós consigo, longe do mundo, e seus enfados. Aposto que - desculpe a indiscrição da pergunta - aposto que nunca amou?

BARÃO - Nunca.

D. HELENA - De maneira que nunca uma flor teve a seus olhos outra aplicação, além do estudo?

BARÃO - Engana-se.

D HELENA - Sim?

BARÃO - Depositei algumas coroas de goivos no túmulo de minha mãe.

D. HELENA - Ah!

BARÃO - Há em mim alguma coisa mais do que eu mesmo. Há a poesia das afeições por baixo da prova científica. Não a ostento, é verdade; mas sabe V. Excia. o que tem sido a minha vida? Um claustro. Cedo perdi o que havia mais caro: a família. Desposei a ciência, que me tem servido de alegrias, consolações e esperanças. Deixemos, porém, tão tristes memórias.

D. HELENA - Memórias de homem; até aqui eu só via o sábio.