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levava-lhe obsequiosamente o álbum aberto e convidava:

— Pois não é bonito?... Leia.

Ao que Xavier, depois de ler, deixando cair o monóculo e alongando a boca, sibilino:

— Com franqueza, minha senhora, é uma sensaboria doublée de uma tolice... Nem admira. Daquele bestunto não pode sair coisa de jeito... — E concluiu baixo: — Nem mesmo que fosse inspirado por Vosselência!

E logo, rodando para junto do marido:

— Diga-me, barão, as lições de esgrima têm continuado?
— Ainda anteontem. Mas — coisa esquisita! — a cada assalto sinto sempre uma vaga impressão de dor no baixo-ventre, como se o caso fosse a valer.
— Ah! Não se admire. Dá-se isso com quase toda a gente... Comigo não! Porém sucedia a La Boessière; e Henri Quatre queixava-se sempre do mesmo, ao ter que entrar em batalha.
— Olha lá, ó Xavier — interveio aqui Henrique Paradela —, tu que entendes de armas... Comprei ontem uns floretes que me parecem magníficos. Quero que me digas que tais os achas.

E o Xavier, com um ar superior:

— Laissez-moi voir ça.
— Vou-tos buscar — anuiu Henrique. — As senhoras dão licença... não têm medo. — Daí a momentos, entrava com um belo par de lâminas, elásticas, lampejantes, frias. — O Imberton disse-me que eram uma especialidade.
— A quoi donc? — disse Xavier, com um desdém impertinente. Examinou vagaroso os floretes, tateando-lhes o grão, fletindo-os contra