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e a D. Julita na brecha, afagando-lhe a barba com a ponta do leque. Afinal:

— Visto que tanto apertam... Sou um criado de Vosselências...
— Mas, na verdade, depois do Mendonçazinho... Enfim, depois da alvorada o sol-posto... Vamos lá!

E logo uma estralada de palmas:

— Bravo! Bravo! Viva o coronel!
— Que há de ser?... O Guerrilheiro!
— Nada! Nada!
— A Judia!
— E maçada!
— O Escravo!
— Uma coisa alegre, ora adeus!
— Coisa alegre?... Já sei!... Vão apanhar uma surpresa. Vou-lhes recitar Um toleirão!
— Isso, isso! Bravo! — aplaudiram à uma as senhoras. — Venha o toleirão!

Era uma poesia cómica recentíssima, que um ator eminente havia representado pela primeira vez, ainda de poucos dias, em D. Maria. O coronel tinha-se apressado a procurá-la e a estudá-la, no desempenho do seu papel de «petisco» dos salões. E já começava de dizê-la com intimativa, em pé a um ângulo da sala, os calcanhares marcialmente unidos, o peito bojando para a frente numa irrisão de elegância, a crista do cabelo tesa de fatuidade, e os olhinhos correndo maganamente, em piscações ambíguas, o círculo das senhoras, enquanto as brotoejas vermelhas da testa supuravam humores desvanecidos.

A poesia contava o caso de um bom homem, tolo e poltrão, casado com uma virago despótica e insuportável, que lhe infligia uma vida de negro, não o deixando sair sozinho, obrigando-