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— Faço tudo! tudo! mas não fiques mel comigo! Ah! se soubesse como eu te adoro!...

— Não sei! Largue-me!...

— Espera!

— Que amolação! Oh!

— Deixa de tolice!... Escuta, por amor de Deus!

Pombinha acabava de encasar o último botão do corpinho, e repuxava o pescoço e sacudia os braços, ajustando bem a sua roupa ao corpo. Mas Léonie caíra-lhe aos pés, enleando-a pelas pernas e beijando-lhe as saias.

— Olha!... Ouve!... — Deixa-me sair!

— Não! não hás de ir zangada, ou faço aqui um escândalo dos diabos! — E que mamãe já acordou com certeza!...

— Que acordasse!

Agora a meretriz defendia a porta da alcova.

— Oh! meu Deus! Deixe-me sair!

— Não deixo, sem fazermos as pazes...

— Que aborrecimento!

— Dá-me um beijo!

— Não dou!

— Pois então não sais!

— Eu grito!

— Pois grita! Que me importa!

— Arrede-se daí, por favor!...

— Faz as pazes...

— Não estou zangada, creia! Estou é indisposta... Não me sinto boa!