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fizeram mal a doente!... segredou o dono do cortiço, a rir. Olhe, aqueles é que com certeza não gostaram da brincadeira! acrescentou, apontando para o lado em que maior era o grupo dos infelizes que tomavam conta dos restos de seus tarecos atirados em montão.

— Ah, mas esses, que diabo! nada têm que perder!... considerou o outro.

E os dois vizinhos foram até o fim do pátio, conversando em voz baixa.

— Vou reedificar tudo isto! declarou João Romão, com um gesto enérgico que abrangia toda aquela Babilônia desmantelada.

E expôs o seu projeto: tencionava alargar a estalagem, entrando um pouco pelo capinzal. Levantaria do lado esquerdo, encostado ao muro do Miranda, um novo correr de casinhas, aproveitando assim parte do pátio, que não precisava ser tão grande; sobre as outras levantaria um segundo andar, com uma longa varanda na frente toda gradeada. Negociozinho para ter ali, a dar dinheiro, em vez de um centena de cômodos, nada menos de quatrocentos a quinhentos, de doze a vinte e cinco mil-réis cada um!

Ah! ele havia de mostrar como se fazem as coisas bem feitas.

O Miranda escutava-o calado, fitando-o com respeito.

— Você é um homem dos diabos! disse afinal, batendo-lhe no ombro.

E, ao sair de lá, no seu coração vulgar de homem que nunca produziu e levou a vida, como todo o mercador, a explorar a