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— Foi bem feito! Ainda acho pouco! Devia ter-lhe metido o pau, para você não ser tola!

— É mesmo!

— Pois não! O que não falta são homens, filha! O mundo é grande! Para um pé doente há sempre um chinelo velho!— E ferrou-lhe a mão nas pernas:— Chega-te para mim, que te esqueceras do outro!

Piedade repeliu-o. Que se deixasse de asneiras!

— Asneiras! É o que se leva desta vida!

A pequena acordara lá no quarto e viera descalça até à porta da sala de jantar, para espiar o que faziam os dois.

Não deram por ela.

E a conversa prosseguiu, esquentando a medida que a garrafa de parati se esvaziava. Piedade deu de mão aos seus desgostos, pôs-se a papaguear um pouco; as lágrimas foram-se-lhe; e ela manducou então com apetite, rindo já das pilhérias do companheiro, que continuava a apalpar-lhe de vez em quando as coxas.

Aquelas coisas, assim, sem se esperar, é que tinham graça!... dizia ele, excitado e vermelho, comendo com a mão, a embeber pedaços de peixe no molho das pimentas. Bem tolo era quem se matava!

Depois lembrou que não viria fora de propósito uma xicrinha de café.

— Não sei se há, vou ver, respondeu a lavadeira, erguendo-se agarrada à mesa.

E bordejou até à cozinha, a dar esbarrões pela direita e pela esquerda.