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Fidêncio procurava analisar, por miúdo, a vida do novo vigário de Silves, rebuscando no íntimo dos fatos algum sintoma de fraqueza ou de hipocrisia. Recapitulando, nada lhe escapava.

O padre levantava-se cedo, às seis horas, lia o breviário e passava a dizer missa. Depois da missa, confessava, e ao sair, no adro, palestrava com os homens, indagando da saúde de cada um, muito cortês, dando conselhos úteis de higiene privada. Terminada a aula de religião que dava aos meninos, recolhia-se a concertar com o lorpa do Macário sacristão sobre as necessidades do culto. Jantava às quatro horas, saía a dar um breve passeio pelos arredores da vila, a espairecer, sempre sério, de olhos baixos, compenetrado do dever de dar o exemplo da sisudez e da gravidade. Voltava às seis horas, ao toque de Ave-Maria, descoberto, passeando lentamente, recolhia-se ao quarto a ler o breviário. O Macário, vitorioso e néscio, saía à porta, ardendo por dizer a toda gente que S. Rev.ma estava em casa estudando.