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dos rios e dos montes enchiam. O porto, a vila e o lago achavam-se quase desertos àquela hora. Silves cedia à melancolia profunda das povoações sertanejas, agravada agora pela ausência de muitos habitantes. Uma brisa forte, vinda de sudoeste, agitava as raras folhas das amendoeiras do porto e refrescava o ar. O céu, em todo o quadrante do sul, cobria-se de nimbos pardos que seguiam lentamente em grupo cerrado, obedecendo ao mesmo impulso. Nas alturas, os urubus, parecendo pontos negros, vagavam, descrevendo círculos, vinham descendo e depois subiam até se perderem de vista nos páramos azuis, para reaparecerem a trechos e deixarem-se levar ao sabor do vento, como folhas arrancadas a uma árvore desconhecida. Curumins semi-nus, espojando-se na areia da praia entre gritos e risadas, rolavam até à beira da água, metiam-se pelo lago dentro, mergulhavam, nadavam, fazendo apostas, e logo voltavam à terra, a brincar em pêlo o esconde-esconde, dando uma nota alegre, que aumentava