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volúpia ardente, parecia filha dum outro continente. Olhara e compreendera o feroz ciúme com que nos seus últimos anos de vida, padre João da Mata escondia do mundo aquele inapreciável tesouro de graça e formosura, e o esquecimento em que deixava os deveres paroquiais para passar os dias na adoração daquela criatura angélica, formada por um capricho da natureza, e condenada pelo destino a viver no sertão do Alto Amazonas entre um velho índio boçal e um padre cheio de achaques. A que vida, entretanto, a destinava? Que sorte lhe proporcionaria o padre santo nos sertões de Guaranatuba? Não haviam sido feitas para rústicos misteres aquelas mãozinhas delicadas, gordas e polpudas, cujo único préstimo parecia ser o de acariciar uma face amiga; aqueles pés pequenos, nervosos e bem-feitos não correriam sem se magoarem por sobre o duro capinzal do campo; aquela cintura fina e graciosa não era para ser abraçada por um pesado tapuio acachaçado nas danças do