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O PRIMO BASÍLIO

Como você viu bem o carácter do Basílio! Está claro que a fortuna nunca o poderia ter moralizado: a sua fortuna, como você diz, foi um bambúrrio: era pulha antes, um pulha pobre, — depois tornou-se apenas um pulha rico. Pessoas amigas escrevem-me dizendo, que parece incrível que um homem que trabalhou no Brasil com valor, seja no fundo um canalha! Estranha opinião! A Baía considerada — como a Fonte Santa da Purificação...

Basta de cavaqueira. Se você publica algum livro por esta ocasião — mande-mo: e se tiver por aí alguns volumes da sua História da literatura a de mais, e que lhe não façam falta, dê-os ao Ramalho que ele nos manda. Eu, os que tinha, perdi-os estùpidamente, com as obras de Shakespeare, de V. Hugo, num caixote, caminho da Havre, e outras obras mais. Escrevi para o Porto a um amigo a mandá-los pedir: e nunca me respondeu sequer: e eu preciso deles para um pequeno trabalho. Se não se esquecer — lembre-se. Um abraço do

Seu grande admirador, e dedicado amigo velho.

Eça de Queirós.

 
FIM
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